Um pedido de habeas corpus preventivo enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) chamou atenção ao apresentar um cenário incomum: a possibilidade de Marcola e Fernandinho Beira-Mar serem sequestrados pela CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, e uma eventual reação violenta de facções criminosas no Brasil.
A petição foi apresentada pelo pastor Oséas de Campos e é datada de 2 de junho de 2026. Marcola é apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto Beira-Mar é historicamente ligado ao Comando Vermelho (CV).
No documento, Oséas pediu que os dois fossem transferidos para um local cuja localização fosse conhecida somente pela Justiça, Ministério Público e familiares. O argumento era de que uma eventual ação norte-americana para retirar os presos do Brasil poderia desencadear um “salve geral”, expressão utilizada para uma ordem coordenada de ataques criminosos.
O autor chegou a mencionar os ataques ocorridos em São Paulo em 2006 e alertou para a possibilidade de ações em diferentes cidades e estados. Não há, porém, evidência apresentada no processo de que a CIA planeje sequestrar Marcola ou Beira-Mar. A possibilidade aparece como uma hipótese levantada pelo próprio autor para justificar o habeas corpus.
O pedido ocorreu no contexto da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A designação norte-americana entrou em vigor em 5 de junho.
O ministro Edson Fachin não deu seguimento ao habeas corpus. Na decisão, de 22 de junho, entendeu que não havia um ato concreto de autoridade que justificasse a análise direta pelo Supremo. A petição foi encaminhada à Defensoria Pública de São Paulo para avaliação de eventuais providências.
