O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (5) após o CEO da Latam no Brasil, Jerome Cadier, afirmar que mudanças nas regras trabalhistas poderiam afetar diretamente os voos internacionais operados no país.
A declaração aconteceu no mesmo dia em que a companhia aérea divulgou lucro líquido de US$ 576 milhões no primeiro trimestre de 2026. Durante coletiva, Cadier comentou o Projeto de Lei 1838/2026, que prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias consecutivos de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.
Segundo o executivo, caso as novas regras sejam aplicadas aos aeronautas (como pilotos, copilotos, comissários e mecânicos de voo) sem adaptações específicas, operações internacionais de longa duração poderiam se tornar inviáveis.
“Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional”, afirmou o CEO da Latam.
A companhia defende que a categoria dos aeronautas continue com regras diferenciadas devido às características específicas do setor aéreo. Atualmente, pilotos e comissários já seguem normas próprias previstas na Lei 13.475/2017, que regulamenta jornada, tempo de voo e períodos de descanso.
De acordo com a legislação atual, voos internacionais podem operar com jornadas variando entre 9 e 16 horas, dependendo do tipo de tripulação e da operação realizada.
Apesar da fala do executivo, o relatório financeiro apresentado aos investidores não detalhou possíveis impactos econômicos relacionados ao projeto. No documento, a Latam informou ter transportado 22,9 milhões de passageiros no trimestre, impulsionada principalmente pelo crescimento das operações internacionais e do mercado doméstico brasileiro.
O projeto segue em discussão na Câmara dos Deputados e ainda deve gerar debates entre governo, Congresso, sindicatos e setores empresariais.
