O governo federal transformou o programa Celular Seguro em uma política permanente e criou um banco nacional para rastrear aparelhos roubados, furtados ou perdidos. A proposta é dificultar a revenda dos dispositivos e atingir a cadeia criminosa que movimenta milhões de reais todos os anos.
Na teoria, a medida parece acertada. Afinal, se não houver comprador, o produto do crime perde valor. O problema é que a iniciativa evidencia uma realidade preocupante: o brasileiro está sendo orientado a conviver com o roubo de celulares como algo quase inevitável.
O próprio governo admite que cerca de 1 milhão de aparelhos são roubados ou furtados por ano no país. Em vez de anunciar uma redução expressiva desses crimes, a principal novidade é um sistema para tentar recuperar o bem depois que ele já foi levado pelo criminoso.
É uma solução tecnológica para um problema de segurança pública.
A criação de uma espécie de “lista negra” dos celulares roubados pode ajudar a desestimular o mercado ilegal e dificultar a ação de receptadores. No entanto, ela não resolve a sensação de insegurança de quem sai de casa com medo de ser assaltado em um ponto de ônibus, na porta do trabalho ou caminhando pela rua.
O discurso oficial fala em combater o crime organizado, mas a pergunta continua sendo a mesma: quantos assaltos deixarão de acontecer por causa da nova plataforma?
O Brasil avança no monitoramento, no cruzamento de dados e na identificação de aparelhos. Tudo isso é importante. Mas a população espera algo mais básico: não ter o celular arrancado das mãos.
A tecnologia pode ajudar a recuperar patrimônios e dificultar a vida dos criminosos. Porém, enquanto o foco estiver apenas no que acontece depois do roubo, a impressão é que o Estado continua correndo atrás do prejuízo.
O cidadão não quer apenas recuperar o aparelho. Ele quer voltar para casa sem ser vítima de um assalto.
