O caso do Cão Orelha, que chocou o Brasil, ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público de Santa Catarina apontar inconsistências na investigação conduzida pela Polícia Civil.
Segundo reportagem exibida pelo Fantástico na noite deste domingo (8), promotores identificaram lacunas que ainda precisam ser esclarecidas para a completa elucidação dos fatos. Entre as possibilidades em análise está, inclusive, a exumação do corpo do animal.
De acordo com o promotor de Justiça Sandro Souza, do MP/SC, a medida não está descartada. “Foram observadas algumas lacunas que precisam ser supridas. Pode se apresentar necessária, inclusive, a exumação do corpo do Cão Orelha. E a partir daí podemos ter uma conclusão mais satisfatória do ocorrido”, afirmou.
A Polícia Civil informou que, ao longo da apuração, analisou mais de mil horas de imagens, captadas por 14 câmeras instaladas na região da Praia Brava, em Florianópolis, além de ouvir ao menos 24 testemunhas. O inquérito atribuiu os maus-tratos que levaram à morte do animal a um adolescente, contra quem houve pedido de internação. Outros três adultos foram indiciados por coação a testemunha.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que determina sigilo absoluto em processos que envolvem menores de idade.
A polícia também confirmou que não foi elaborado um laudo pericial específico para determinar, com base nas imagens, o momento exato das agressões. No entanto, o depoimento do veterinário que atendeu Orelha foi considerado fundamental para apontar que o cão teria sido atingido por um instrumento contundente.
Tanto a promotoria da área da Infância e Juventude quanto a promotoria da área Criminal entendem que são necessárias novas diligências. O Ministério Público ainda não estabeleceu prazo para se manifestar oficialmente sobre o relatório final da Polícia Civil, entregue na última terça-feira (3), mas já adiantou que deverá solicitar medidas complementares para aprofundar o caso.
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente apontado como responsável pela morte do cão Orelha, afirmaram que “as informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.
