A Câmara dos Deputados viveu uma sessão marcada por tensão política nesta quarta-feira (10), ao reverter expectativas e decidir, em votações distintas, que Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) não perderão seus mandatos. Os dois parlamentares enfrentavam processos disciplinares por motivos diferentes, mas conseguiram escapar da cassação.
No caso de Glauber Braga, a Casa optou por uma punição mais branda. Por apenas seis votos de diferença — 226 a 220 — os deputados aprovaram que fosse votada antes uma penalidade alternativa. Em seguida, o plenário decidiu aplicar suspensão de seis meses, aprovada por 318 a 141, afastando a possibilidade de perda definitiva do mandato.
Braga estava sob análise após ter agredido um militante do MBL e, no dia anterior, ter sido retirado à força do plenário por se recusar a deixar a Mesa Diretora durante um protesto contra sua própria cassação. O parlamentar justificou o comportamento afirmando ter reagido a uma ofensa envolvendo sua mãe, que estava em estado avançado de Alzheimer.
Mesmo parlamentares de esquerda reconheceram o erro, mas classificaram a cassação como medida desproporcional. Nos bastidores, aliados criticaram a ocupação da Mesa, comparada ao episódio bolsonarista ocorrido em agosto. Braga atribuiu o processo ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que negou qualquer interferência.
Já a deputada Carla Zambelli teve seu processo rejeitado por falta de votos suficientes. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça e atualmente presa na Itália, Zambelli precisava de ao menos 257 votos para perder o mandato — mas apenas 227 parlamentares votaram a favor da cassação, enquanto 110 foram contrários e 10 se abstiveram. Como resultado, a representação foi arquivada.
Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado parecer recomendando a cassação de Zambelli, sob argumento de que o cumprimento de pena em regime fechado inviabiliza o exercício do mandato. A decisão final do plenário, porém, manteve a deputada em seu cargo, apesar de sua ausência no país e do aguardo pela extradição.
As duas votações ocorreram após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que colocaria em pauta ainda este ano os processos envolvendo Braga, Zambelli e Alexandre Ramagem (PL-RJ). A sessão foi marcada por tentativas de obstrução, discussões acaloradas e forte pressão entre as bancadas.
Com os resultados, ambos os parlamentares seguem no cargo, apesar das acusações e das recomendações de órgãos internos da própria Casa.
