
A Braskem decidiu recorrer à recuperação extrajudicial para tentar reorganizar uma dívida que gira em torno de R$ 54 bilhões. A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração nesta segunda-feira (24), depois de semanas de negociações com credores.
A empresa busca alterar prazos e condições de pagamento de parte de seus compromissos financeiros. O processo prevê um período de 90 dias de proteção judicial, durante o qual a companhia poderá avançar nas negociações e estruturar o acordo com os credores.
A crise financeira da petroquímica é resultado de uma combinação de fatores. A companhia vem enfrentando um período difícil no mercado mundial de produtos petroquímicos, marcado por excesso de oferta e pressão sobre as margens. A situação também foi agravada pelos problemas relacionados à operação de mineração de sal-gema em Maceió e pelas dificuldades enfrentadas pela subsidiária mexicana Braskem Idesa.
Lucro não foi suficiente para resolver o problema
Apesar da situação financeira delicada, a Braskem apresentou resultados positivos no segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões e EBITDA de aproximadamente R$ 5,25 bilhões no período.
O problema está no tamanho da dívida. Em junho, a dívida bruta corporativa era de aproximadamente US$ 10,4 bilhões, enquanto a dívida líquida ajustada chegou a US$ 9,5 bilhões.
Ou seja, mesmo com a melhora nos resultados recentes, a empresa ainda precisa encontrar uma solução para sua estrutura de capital.
Crise também envolve Maceió
Um dos capítulos mais graves da história recente da Braskem está relacionado ao afundamento do solo em bairros de Maceió, provocado pela atividade de mineração de sal-gema.
O problema começou a ganhar força em 2018 e levou à retirada de milhares de moradores de áreas afetadas. Em 2023, o rompimento da Mina 18 provocou uma nova emergência na cidade.
Mais recentemente, a Polícia Federal estimou em R$ 40 bilhões os prejuízos da União relacionados ao desastre. A Braskem contesta acusações e afirma seguir as normas aplicáveis às suas atividades.
Subsidiária mexicana também enfrenta crise
A situação financeira não está restrita às operações brasileiras. A Braskem Idesa, no México, entrou com pedido de proteção judicial nos Estados Unidos pelo chamado Chapter 11.
A medida busca reduzir mais de US$ 920 milhões em dívidas. A Braskem informou que deverá contribuir com US$ 476 milhões para a reestruturação da operação mexicana.
Agora, a Braskem terá pela frente uma etapa decisiva: negociar com os credores e conseguir apoio suficiente para aprovar o plano de reestruturação. A empresa afirma que o objetivo é reorganizar suas obrigações financeiras e manter suas operações funcionando normalmente.
A recuperação extrajudicial, portanto, não significa que a Braskem está encerrando suas atividades, mas representa uma tentativa de reorganizar uma estrutura de dívida que se tornou pesada demais para a companhia.
