O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (4). O levantamento considera profissionais que utilizam plataformas digitais para realizar atividades como transporte de passageiros e entrega de produtos.
Do total, aproximadamente 1,8 milhão tinham o trabalho por aplicativo como principal ocupação, enquanto outros 182 mil utilizavam esse tipo de atividade como fonte secundária de renda. O número representa um crescimento de 18,4% em relação a 2024, quando havia cerca de 1,7 milhão de trabalhadores nessa modalidade.
Apesar da expansão, o estudo mostra diferenças nas condições de trabalho. Os profissionais de plataformas trabalhavam, em média, 44,7 horas por semana, 5,4 horas a mais que os demais trabalhadores do setor privado. O rendimento médio mensal era de aproximadamente R$ 3.148, mas o valor recebido por hora ficava em torno de 12% abaixo da média dos demais trabalhadores.
Outro dado que chama atenção é o nível de informalidade. Cerca de 72,1% dos trabalhadores de aplicativos não tinham vínculo formal, enquanto aproximadamente 66% não contribuíam para a Previdência Social. O levantamento aponta ainda que 84,4% eram homens, com predominância de pessoas entre 25 e 39 anos e trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto.
A pesquisa também investigou os motivos que levam brasileiros a buscar esse tipo de trabalho. A flexibilidade de horários foi apontada por 26,8% dos entrevistados, seguida pela dificuldade de encontrar outro emprego, citada por 24,6%. Os números mostram que o trabalho por plataformas já ocupa um espaço relevante no mercado brasileiro, mas também evidenciam desafios relacionados à renda, à jornada e à proteção previdenciária desses profissionais.
