Brasil registra recorde de feminicídios em 2025, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública

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Brasil registra recorde de feminicídios em 2025, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública

O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde o início da série histórica do crime, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O total representa um aumento de 4% em comparação com 2024, quando foram contabilizados 1.504 casos, e confirma o quarto ano consecutivo de crescimento desse tipo de violência no país.

De acordo com o levantamento, a taxa nacional chegou a 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres. Em média, mais de quatro mulheres foram assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero. O anuário também mostra que os feminicídios seguiram uma tendência oposta à observada em outros indicadores de violência letal, já que as mortes violentas intencionais apresentaram redução em 2025.

O estudo revela ainda que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de agressões. Em 2025, foram registradas 4.189 tentativas de feminicídio, alta de 5,9% em relação ao ano anterior. Isso significa que, para cada mulher assassinada, quase três sobreviveram a ataques com intenção de matá-las. Especialistas alertam que ameaças, agressões físicas, perseguições e violência psicológica frequentemente antecedem os crimes fatais, reforçando a importância de identificar e interromper esses ciclos de violência o quanto antes.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento dos registros também reflete uma maior qualificação das investigações e da classificação dos casos pelas autoridades. Ainda assim, pesquisadores ressaltam que o aumento dos números demonstra que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios para a segurança pública brasileira, mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha e mais de dez anos da tipificação do feminicídio no Código Penal.

Diante do novo recorde, especialistas defendem o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres, a ampliação da rede de atendimento às vítimas e a conscientização da sociedade sobre a importância de denunciar casos de violência doméstica. O anuário destaca que combater o feminicídio exige ações integradas entre forças de segurança, Poder Judiciário, Ministério Público, assistência social e serviços de saúde, com foco na prevenção e na proteção das vítimas antes que a violência alcance seu estágio mais extremo.