O Brasil deverá alcançar neste sábado (27) a marca de R$ 2 trilhões em impostos, taxas e contribuições arrecadados em 2026, conforme estimativa do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O resultado representa uma antecipação de aproximadamente seis dias em relação ao mesmo marco registrado no ano passado, sinalizando um ritmo mais acelerado de arrecadação.
O crescimento da receita tributária é atribuído, entre outros fatores, ao aumento da atividade econômica em alguns setores, à inflação, que amplia a base de incidência de diversos tributos, e aos esforços do governo federal para reforçar a arrecadação. Mesmo assim, especialistas destacam que o avanço da receita não tem sido suficiente para equilibrar as contas públicas.
As projeções do Prisma Fiscal indicam que o país deverá encerrar 2026 com um déficit primário próximo de R$ 59 bilhões, resultado que considera as despesas superiores às receitas antes do pagamento dos juros da dívida pública. Para cumprir as regras do novo arcabouço fiscal, o governo também realizou bloqueios e contingenciamentos superiores a R$ 23 bilhões no Orçamento deste ano.
Além do déficit primário, há despesas que ficam fora desse cálculo, como o pagamento de precatórios, subsídios e programas de crédito com garantia da União. Juntos, esses compromissos podem representar cerca de R$ 200 bilhões ao longo de 2026, ampliando a pressão sobre as finanças públicas.
O avanço da arrecadação reacende o debate sobre a elevada carga tributária brasileira e a eficiência do gasto público. Enquanto o governo busca aumentar as receitas para cumprir as metas fiscais, empresários e contribuintes defendem medidas que promovam maior controle das despesas e uma reforma administrativa capaz de reduzir os custos da máquina pública, garantindo maior equilíbrio fiscal sem ampliar ainda mais o peso dos impostos sobre a população e o setor produtivo.
