A imagem de uma onça-pintada registrada em Itirapina por um seguidor ganhou grande repercussão, após o entregador relatar ter encontrado o animal durante uma entrega realizada na quarta-feira (30).
Diante da repercussão, o São Carlos no Toque foi atrás de um especialista para entender o quão comum e extraordinário seria encontrar uma onça-pintada em nossa região.
Conversamos com o biólogo Fernando Magnani, amigo do portal e profissional com passagem pelo Parque Ecológico de São Carlos, que também já participou de projetos de pesquisa e monitoramento de fauna na região.
E a explicação dele torna um eventual aparecimento ainda mais impressionante.
Segundo Magnani, não existem registros confiáveis recentes da presença de onças-pintadas na região de São Carlos e Itirapina. Os últimos relatos considerados confiáveis remontam à década de 1940.
“Seria ótimo, seria um aparecimento fantástico, mas a probabilidade de ser real é muito pequena. Existem relatos confiáveis de onça-pintada, as últimas que se tem notícia datam da década de 40 do século passado.”
“Participando de vários projetos de pesquisa e monitoramento de fauna na região, nós nunca tivemos a captura da imagem, ou registro, ou qualquer tipo de evidência de que onça-pintada tivesse voltado para a região de São Carlos e Itirapina.”
Magnani acrescenta que o cenário se repete entre outros pesquisadores que trabalham em campo e utilizam recursos como armadilhas fotográficas e monitoramento remoto.
Por isso, na avaliação do biólogo, a espécie ainda deve ser considerada localmente extinta na região.
“Infelizmente, eu falo isso até com certa tristeza, pode-se dizer que esse animal, na região de São Carlos e Itirapina, ainda continua desaparecido, extinto localmente.”
A análise não significa que o relato do entregador esteja sendo descartado ou que a imagem esteja sendo apontada como falsa. Pelo contrário: diante da ausência de registros confiáveis durante tantas décadas, caso a presença de uma onça-pintada na região seja confirmada, o episódio ganharia uma importância ainda maior.
O São Carlos no Toque continuará acompanhando o caso e eventuais novos registros que possam ajudar a esclarecer o aparecimento.
