Apesar do discurso de taxar os mais ricos, impostos sobre consumo seguem ampliando peso na arrecadação

lula e haddad
Apesar do discurso de taxar os mais ricos, impostos sobre consumo seguem ampliando peso na arrecadação

Apesar da ênfase do governo Lula em ampliar a tributação sobre altas rendas e grandes patrimônios, a fotografia da arrecadação federal entre 2022 e 2025 revela um movimento diferente do discurso. No período, os tributos incidentes sobre bens e serviços — ou seja, impostos embutidos no consumo — ganharam espaço no total arrecadado pela União.

Esses tributos são classificados como regressivos porque atingem de forma mais intensa as famílias de menor renda, que comprometem parcela maior do orçamento com consumo básico. Já os impostos sobre renda e patrimônio tendem a ser progressivos, pois recaem proporcionalmente mais sobre quem tem maior capacidade contributiva.

Os dados indicam que a participação dos tributos sobre renda e patrimônio caiu de 42% para 40% no total da arrecadação federal no intervalo analisado. Paralelamente, a fatia correspondente aos impostos sobre bens e serviços aumentou, reforçando o peso do consumo como principal fonte de receita da União.

O cenário expõe um contraste entre a narrativa de maior taxação dos mais ricos e a estrutura efetiva das receitas públicas, ainda fortemente dependente de impostos indiretos. Especialistas observam que essa característica é estrutural no sistema tributário brasileiro e que alterações profundas exigem reformas amplas e graduais. No entanto, os números mostram que, até agora, o crescimento da arrecadação tem sido puxado sobretudo pelos tributos que incidem sobre o consumo.