Em São Paulo, casos entre crianças e adolescentes cresceram 465,6% entre 2015 e 2023, segundo a Secretaria de Estado da Saúde
O aumento de casos de transtornos de ansiedade entre crianças e adolescentes acende um alerta no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que os atendimentos de jovens entre 10 a 14 anos, no Sistema Único de Saúde (SUS), saltaram de 1.850 para 24.367 casos entre 2014 e 2024. Já, entre adolescentes, de 15 a 19 anos, o aumento foi ainda mais expressivo, com crescimento superior a 3.300% no período, passando de 1.534 para 53.514 casos no mesmo período.
No estado de São Paulo, segundo a Secretaria da Saúde (SES), os atendimentos e internações por ansiedade em menores de 17 anos aumentaram 465,6%, entre 2015 e 2023.
De acordo com a Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) e dados complementares do Ministério da Saúde, o aumento da procura por atendimento em saúde mental infantil é acompanhado por uma capacidade limitada de oferta, o que amplia o desafio para garantir cuidado adequado e contínuo.
“Esse crescimento expressivo reforça a pressão sobre o sistema público de saúde e evidencia a dificuldade de acesso ao acompanhamento psicológico, especialmente entre famílias em situação de vulnerabilidade”, comenta o psicólogo Davi Tomasi, diretor do Hospital Saúde Premium, unidade especializada em saúde mental, localizada em Capela do Alto (SP).
Como identificar a ansiedade infantil
A ansiedade é uma reação natural diante de situações que causam medo ou insegurança. O problema ocorre quando esses sentimentos aparecem com intensidade exagerada, frequência e sem motivo aparente. Isso gera sofrimento e prejudica a rotina da criança.
Os principais sintomas de ansiedade em crianças incluem:
• Medos exagerados e persistentes;
• Preocupações constantes e difíceis de controlar;
• Irritação e choro frequente;
• Alterações no sono e pesadelos recorrentes;
• Dores de cabeça ou de barriga sem causa médica;
• Dificuldade de concentração na escola.
“Muitas vezes, a criança não consegue traduzir em palavras o que sente.e emoções acabam aparecendo em comportamentos ou mudanças de humor. Por isso, o olhar atento dos adultos é fundamental para identificar sinais e oferecer apoio no momento certo”, explica o diretor do Hospital Saúde Premium.
Projetos que ajudam
No contexto de aumento nos casos de atendimento em saúde mental, principalmente entre crianças e adolescentes, Tomasi aponta a importância de algumas iniciativas comunitárias. Em Capela do Alto (SP), o Hospital Saúde Premium desenvolve, em parceria com o Município, o programa Pequenos Gigantes.
O projeto oferece acompanhamento psicológico gratuito a crianças em situação de vulnerabilidade. A ação já soma 40 atendimentos mensais, com foco no fortalecimento da saúde emocional e no suporte às famílias.
“Além do atendimento clínico, o projeto atua de forma preventiva, promovendo acolhimento e acompanhamento contínuo em uma fase decisiva do desenvolvimento”, comenta Arine Tomasi, diretora administrativa do Hospital Saúde Premium.
O hospital também mantém outros projetos semelhantes. Entre eles, está o Vidas que Inspiram 60+, desenvolvido em parceria com o Conselho do Idoso de Capela do Alto, com palestras quinzenais e atividades voltadas ao envelhecimento ativo.
Já, o projeto Aurora promove encontros mensais com mulheres atendidas pelo Município, com foco na autoestima e qualidade de vida por meio de palestras e dinâmicas de psicologia. “Esses projetos fazem parte da nossa missão: cuidar de pessoas em todas as fases da vida, estendendo nosso trabalho para além das paredes do hospital e alcançando diretamente a comunidade”, acrescenta a diretora administrativa.
