Alta dos combustíveis leva motoristas de vans escolares às ruas de São Carlos e expõe dilema entre custos e famílias

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Ivan Lucas

Uma manifestação pacífica organizada por motoristas da Cooperativa de Vans de São Carlos reuniu dezenas de veículos nesta sexta-feira (20), em São Carlos. O ato chamou atenção para os impactos da alta dos combustíveis sobre o transporte escolar e o custo de vida, em um cenário que se repete em diversas regiões do país.

Presidente da cooperativa, Emerson Vergara afirmou que a mobilização tem como objetivo principal buscar alternativas para manter o serviço sem comprometer ainda mais as famílias.

“Estamos acompanhando esse cenário de aumento dos combustíveis e tentando encontrar a melhor forma de continuar trabalhando, atendendo a população, levando crianças, jovens e universitários às escolas. Não é justo que esse custo recaia totalmente sobre nós, mas também não é justo repassar tudo para os pais. Por isso, estamos aqui para dialogar”, disse.

Segundo ele, a estratégia adotada pela categoria será baseada em negociação direta com os responsáveis pelos alunos, levando em conta as particularidades de cada rota.

“O eventual reajuste precisa ser discutido caso a caso. Tem motorista que roda mais, outros menos, alguns têm mais alunos. Não dá para definir um valor único. Pode ser um ajuste pequeno, mas tudo será conversado. A orientação é explicar a situação com transparência”, afirmou.

Vergara também demonstrou preocupação com a possibilidade de agravamento do cenário. “Se houver falta de combustível, o que esperamos que não aconteça, não há alternativa. Sem combustível, não tem como trabalhar”, pontuou.

Durante a entrevista ao jornalista Ivan Lucas, o presidente da cooperativa defendeu maior fiscalização nos preços praticados pelos postos e cobrou medidas mais amplas das autoridades.

“É fundamental que haja atuação do Procon para fiscalizar. Sabemos que há fatores internacionais, mas não é só isso. Há setores que acabam se aproveitando. E o impacto é em cadeia: sobe o combustível, sobe tudo — alimentação, saúde, educação. Quem mais sofre é quem já está em situação mais vulnerável”, disse.

Ele também mencionou a necessidade de revisão de tributos estaduais, como o ICMS, como forma de aliviar os custos.

Apesar da mobilização, Vergara indicou que novas manifestações não estão previstas no curto prazo. Ainda assim, reforçou que a situação exige atenção urgente de diferentes níveis de governo.

“Não é só o transporte escolar. Caminhoneiros, por exemplo, enfrentam uma realidade ainda mais dura. É preciso olhar para essas categorias que garantem o funcionamento do país. No fim, quem paga essa conta é sempre a população”, concluiu.