Uma nova alternativa de contracepção masculina está avançando nos testes em humanos. Batizado de ADAM, o método utiliza um hidrogel não hormonal aplicado diretamente nos canais deferentes, estruturas responsáveis por transportar os espermatozoides dos testículos em direção à uretra.
A proposta funciona como uma espécie de barreira física temporária. O hidrogel ocupa o interior dos canais deferentes e impede que os espermatozoides cheguem ao sêmen. Isso significa que o homem continua ejaculando normalmente, mas o objetivo é que o ejaculado deixe de conter espermatozoides em quantidade capaz de provocar uma gravidez.
Diferentemente de anticoncepcionais hormonais em desenvolvimento, o ADAM não busca alterar a produção de testosterona nem bloquear hormonalmente a produção de espermatozoides. A ideia é oferecer uma alternativa de longa duração à camisinha e menos definitiva que a vasectomia.
A aplicação é feita por uma técnica minimamente invasiva semelhante à utilizada na vasectomia sem bisturi. Nos primeiros estudos em humanos, o canal deferente foi acessado e o hidrogel inserido por meio de um pequeno cateter e um dispositivo próprio de aplicação.
O primeiro estudo clínico envolveu 25 homens saudáveis. As 50 aplicações — uma em cada canal deferente dos participantes — foram realizadas com sucesso. Nos primeiros 90 dias de acompanhamento, a maioria dos eventos adversos registrados foi classificada como leve e relacionada principalmente ao período de recuperação do procedimento.
Um dos grandes diferenciais pretendidos é a reversibilidade. O hidrogel foi desenvolvido para permanecer temporariamente nos canais e depois perder sua estrutura, permitindo que o transporte dos espermatozoides seja restabelecido. Entretanto, a segurança, a eficácia contraceptiva e a recuperação da fertilidade ainda precisam ser confirmadas por estudos clínicos maiores e de longo prazo.
Por enquanto, portanto, não se trata de um anticoncepcional disponível para uso rotineiro. O ADAM continua em desenvolvimento e os resultados iniciais não significam que o método já tenha aprovação para comercialização.
E há outro ponto fundamental: mesmo que seja confirmado como contraceptivo, o hidrogel não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A camisinha continua sendo uma ferramenta importante de prevenção.
