Hoje o @saocarlosnotoque e o @rolouhistoria te leva à São Carlos de 1987. Rafael era bom menino. Talvez inteligente. Corajoso, com certeza não. Mas os colegas de classe o desafiaram a ir no banheiro do porão. Ele foi!
O banheiro do andar de baixo era daqueles lugares que a escola fingia não existir. Luz amarela, azulejo velho, silêncio do tipo que incomoda mais que barulho. Todo mundo sabia que tinha algo errado ali, ninguém ia e talvez seja essa a definição mais honesta de medo.
Rafael entrou. Jogou água no rosto. Encarou o espelho com a arrogância típica dos dezessete anos e disse baixinho: — Se existe, aparece.
A lâmpada piscou. O reflexo hesitou. E no espelho havia uma mulher. Loira. Branca demais. Algodão no nariz. A mão estendida, pedindo sem som: Água. De repente a loira saiu do espelho e foi em direção a Rafael.
Ele saiu simplesmente pálido. Dias depois pediu transferência. Falam que a maldição da Loira foi lançada sobre ele.
Dizem que ela se chamava Maria Augusta. Rica, infeliz, morta longe de casa. Trouxeram o corpo de volta e a família a deixou exposta por dias numa urna de vidro. Numa casa que depois virou escola.
Ela nunca descansou. E fica a pergunta mais incômoda: se alguém passou décadas pedindo água e ninguém ofereceu? A origem está no XIX na capital, mas se espalhou para todos os lugares.
E na sua escola a loira do banheiro já apareceu? Conta aí e segue agora o @rolouhistoria para você conhecer estas e muitas outras histórias das cidades. Até domingo!
