A história de Pata Seca, escravizado que viveu em Santa Eudóxia e teria tido mais de 200 filhos

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A história de Pata Seca, escravizado que viveu em Santa Eudóxia e teria tido mais de 200 filhos

Nascido em Sorocaba no século XIX, Roque José Florêncio foi comprado por um fazendeiro de São Carlos e levado para o distrito de Santa Eudóxia, onde ficou conhecido como “Pata Seca”. Segundo a família, ele foi submetido à prática cruel de “escravo reprodutor”, sendo forçado a gerar dezenas de filhos para ampliar a mão de obra escravizada da região.

Com 2,18 metros de altura e mãos longas e finas — origem do apelido — Roque era considerado “ideal” para reprodução, de acordo com crenças da época que ligavam porte físico ao nascimento de crianças do sexo masculino. Relatos afirmam que ele teria gerado mais de 200 filhos ao longo da vida, muitos sem registro formal.

Além disso, Roque trabalhava cuidando dos cavalos e transportando correspondências entre a fazenda e a cidade de São Carlos. Foi nessas viagens que conheceu Palmira, jovem que via sempre varrendo a calçada. Depois de conquistar seu “sim”, levou-a na garupa do cavalo até a fazenda, onde o casamento foi oficializado. O casal recebeu 20 alqueires de terra e Roque finalmente pôde construir uma família por vontade própria, tendo nove filhos com Palmira.

A trajetória de Pata Seca não é motivo de orgulho — é um lembrete do passado doloroso que marcou o interior paulista e todo o país. Sua história precisa ser lembrada justamente para que os erros da escravidão jamais se repitam, e para que a memória de quem sofreu essa injustiça seja tratada com respeito e empatia. E você, são-carlense: já conhecia a história de Pata Seca? Comente.